
Nas pausas de algum estudo e de algumas saídas de casa, tenho ocupado o tempo a (re)ler Camilo Castelo Branco. E que bem sabe pousar os olhos nas palavras de um dos nossos maiores escritores, actualmente tão esquecido.
Comecei a ler Camilo quando ainda era muito jovem. Na altura a sua escrita já me encantava. Porém, confesso a dificuldade que tinha em perceber todos os sentidos do seu estilo vernacular, de penetrar em toda a sua fina ironia. Regressado agora às obras deste "agrilhoado das letras", como ele se apelidava, espanto-me com a descoberta de novos sentidos e interpretações. Aprendo, também, os sentimentos e personalidade do povo português do século XIX: desde os bons camponeses do Minho até aos burgueses do Porto. Passando por histórias de amores impossíveis, de fatalidades, até aos casamentos felizes e às histórias de filhos naturais a quem a sorte acaba por sorrir.
O estilo narrativo de Camilo é, também, extraordinário, já que o autor percorre os seus textos comentando-os com sinceridade, malícia, ironia, dirigindo o leitor para onde quer nos seus contos, novelas e romances.
Um escritor eterno. Que recomendo vivamente nestas longas "noites de insónia" deste Verão de Setembro.
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